O Bandolim

Bandolim é um instrumento dotado geralmente de quatro cordas duplas, em sol(G), ré(D), lá(A), mi(E), como os violinos. A caixa de ressonância tem forma de pêra e fundo abaulado. Toca-se com palheta, e sua extensão é de aproximadamente três oitavas.
    O instrumento surgiu por volta do século XVIII e difundiu-se na Itália, onde surgiram os tipos napolitano, genovês, romano, siciliano, florentino ou milanês. A diferença entre os vários tipos está no número e qualidade das cordas e, conseqüentemente, na afinação. O tipo predominante em todo o mundo é o napolitano. As demais espécies, algumas com a tradicional montagem em cordas de tripa, estão em desuso. Modernamente, as cordas metálicas são preferidas, pois se adaptam melhor ao uso da palheta.
    O repertório clássico que admite o bandolim inclui as óperas Don Giovanni, de Mozart, e Otelo, de Verdi; a sonatina em dó menor para bandolim, de Beethoven, e a sinfonia em ré maior de Mahler. A música popular brasileira reservou para o bandolim os solos de um de seus gêneros instrumentais mais importantes, o chorinho.

A História do Bandolim remonta a vários séculos atrás. Sendo um intrumento que, cada vez mais (depois de um período de quase desaparecimento) se consolida como indispensável na música tradicional portuguesa, muito graças aos estudantes e às suas tunas que fizeram renascer a glória deste instrumento. Mas não só, mesmo a nível internacional não são raros os grupos Rock, Folk e Pop de renome que têm utilizado este magnífico cordofone para aprimorarem as suas composições por exemplo: R.E.M., James, Blind Melon, U2, Jovannotti, entre muitos outros. A nível nacional o bandolim é sobretudo utilizado pelas Tunas Académicas e algumas Orquestras Típicas, mas também tem sido utilizado em alguns grupos de música moderna. Um bom exemplo de uma utilização espetacular do bandolim, com um efeito muito bom no produto final de um grupo português dos nossos dias são os trechos de bandolim dos coimbrões Belle Chase Hotel. Ena Pá 2000, Belle Chase Hotel, Blind Zero, vêm, com muitos outros, juntar-se a um leque cada vez mais alargado de músicos que compreenderam que a relativa acessibilidade deste instrumento (essencialmente em termos de custo)não significa menor mais-valia na criação musical, bem pelo contrário.

É justo salientar o excelente trabalho de investigação e composição que o compositor Júlio Pereira tem desempenhado ao longo dos anos. Desde a sua recolha de informação no Atlas Musical de Portugal, até informações sobre os diversos cordofones que ele toca (bandolim, cavaquinho e diversos tipos de viola), enfim, um trabalho de louvar que se encontra compilado e disponível na sua homepage e que, em conjunto com algumas visitas ao Museu de Cordofones de Domingos Machado em Tebosa - Braga, muito contribuiram para eu conseguir compilar estas informações acerca do bandolim.

O Bandolim é conhecido como um cordofone com origem napolitana, de costas periformes e abauladas tal como as do alaúde e dotado de quatro cordas duplas de metal cuja percussão com palheta ou plectro produz um efeito de tremolo rápido e encadeado que aumenta ilusóriamente a duração das notas criadas.

A Família dos Bandolins é constituída pela Bandolineta (sopranino), o Bandolim (soprano), Bandoleta (Alto), Bandola (Soprano), Bandoloncelo (Baixo) e Bandolão (Baixo – com forma de bandolim mas tocado como contrabaixo – cerca de 1,50m de altura).

Os bandolins existem desde o séc. XVI, tedo a sua origem em Itália, onde surgiram para substituir o Alaúde. Cada cidade tinha o seu bandolim (existindo Napolitanos, Romanos, Sicilianos, Florentinos etc) e a principal diferença entre estes eram o número de cordas e a afinação.

Os construtores Italianos mais famosos foram os violeiros Vimercati, Sechi, Vinaccia e Rafaelle Calace.

Enquanto que os italianos construiam os seus bandolins com forma semelhante à do alaúde, sem ilhargas e com costas arqueadas, em Portugal, onde o bandolim teve muita aceitação estes foram construídos com ilhargas e fundo chato, criando a escola portuguesa de bandolins.

Origem

Globalmente, a maioria dos autores situam as raízes históricas do bandolim no rabât árabe, bem como na mandora medieval e renascentista. No entanto, alguns referem a existência de dois tipos principais de bandolins, cada um deles possuidor de uma forma, tipo de afinação, técnica de execução e história musical nítidamente distintas.

O mandolino representa o tipo milanês antecessor do actual bandolim, de forma similar à de um pequeno alaúde com cordas de tripa e, tal como ele, predominantemente tocado com os dedos.

Adoptando a técnica da execução com palheta só a partir da segunda metade do séc. XVII e inícios do séc. XVIII, a sua afinação faz-se em quartas, com a sexta situada uma terceira abaixo da quinta linha. De formato periforme reduzido e costas abauladas, o mandolino dispõe de quatro a seis cordas duplas. As cravelhas inserem-se lateralmente, embora possa também surgir um tipo de cravelhame plano similar ao da guitarra. Objecto de colecção raramente considerado como um autêntico bandolim pelos autores contemporâneos, o mandolino adopta designações tão diversas como as de alaúde soprano, pandurina ou mandora e o seu repertório é erradamente atribuído a um segundo tipo de instrumento.

O termo bandolim designa um segundo tipo de cordofone com origem napolitana e repertório predominantemente francês. Desenvolvido em meados do séc.XVIII, as suas costas são profundamente periformes e abauladas , o cravelhame é inclinado relativamente ao braço que possui trastos. A boca é circular e sobre ela passam as quatro cordas metálicas dupas que se beliscam com um plectro ou palheta. A sua afinação mais comum é em quintas, similar à do violino.

Nápoles

Desenvolve uma identidade musical única ao longo dos "anos dourados" da expansão e afirmação culturais, resultantes da tomada militar concretizada por Carlos de Bourbon em 1734.

Aperfeiçoando um gosto de vocação internacional, a cidade possuía já uma ligação histórica a um largo número de instrumentos populares de plectro que remonta ao séc XV, com a introdução árabe de instrumentos da família do alaúde que posteriormente seriam associados a formas locais e tradicionais. Definindo a principal característica futura dos instrumentos modernos de origem napolitana, é-lhe então feito o acréscimo de um cravelhame nítidamente inclinado em relação ao braço.

Por contraste com a época intimista precedente, todas as aresentações musicais setecentistas sublinham uma maior predilecção pelas grandes salas e pelas casas de ópera. De forma a servirem tais dimensões crescentes, os construtores napolitanos aperfeiçoam técnicamente os seus instrumentos com uma finalidade marcadamente pública, aumentando-lhes

a dimensão total e a tensão produzida sobre as cordas. Tal como o relatam diversos viajantes do tempo, o bandolim torna-se conhecido entre os diferentes estratos sociais napolitanos, emboraseja predominantemente olhado como um instrumento de carácter "popular", não elitista.

França

Ao longo da segunda metade do séc. XV, estabeleceram-se neste País inúmeros músicos e instrumentistas italianos recém-chegados via Lyon. As suas novas carreiras napolitanas afirmam-nos como mestres, compositores ou tocadores de bandolim nos concerts sprituels - ciclos de apresentações musicais típicas das épocas religiosas, quando as representações operáticas não são permitidas -, entre os quais se destacam Carlo Sodi, Giovanni Scifolelli e Leoné de Nápoles. Por sua influência directa, o bandolim passa a ser realmente popular em França desde 1760, quando Paris se torna o centro da edição musical especializada. O repertório deste instrumento contempla os duetos para dois bandolins, sonatas para bandolim e metais e cançonetas para voz e bandolim. No entanto, a formação mais comum é o dueto; talvez devido ao facto de os bandolins serem usualmente fabricados em pares e de a sua natureza portátil os transformar em instrumentos ideais para a apresentação de frescos musicais onde o segundo instrumento sublinha harmónicamente o primeiro. Estes duetos interpretavam sonatas de dois andamentos, minuetos e outras formas musicais características do refinado style galant oitocentista.

Uma mudança importante na técnica instrumental do bandolim - o efeito de tremolo produzido pelo rápido movimento vibratório da palheta na mão direita, certamente importado de Itália, ocorre ao longo do séc.XIX quando diversas formações musicais e orquestrais com bandolins surgem na Alemanha e Áustria, interpretando um repertório constituído por diversas adaptações de excertos de óperas.

Em 1769, Giovanni Gualdo - comerciante de vinhos e de instrumentos musicais italiano em Filadélfia - executa na América ‘um solo de mandolino com instrumento italiano’. Em 1774, é interpretado na mesma cidade um concerto ‘onde o Sr. Vidal (...) músico do Reino de Portugal

tocará (...) um duetto com bandolim acompanhado em violino’.

Europa

Neste Continente, é significativa a popularidade alcançada pelo bandolim em Viena, centro artístico do império dos Habsburgos. compositores como Mozart ("Deh veni alla finestra" - ária com bandolim da ópera D.João) e Beethoven (Sonatina em Dó Menor) escreveram para bandolim, tal como posteriormente o fará Hummel no seu Concerto para Bandolim. A utilização crescente no repertório de excertos operáticos contribui para uma divulgação crescente do instrumento ao longo do séc. XIX. (Verdi em Otello e Falstaff). No decorrer do séc.XX o bandolim foi inserido na formação orquestral por Mahler (7ª e 8ª Sinfonias e A Canção da Terra), Schönberg (Serenata Op.24 e Variações Orquestrais Op.31), Webern (Cinco Peças Orquestrais), Henze (König Hirsch) e Stravinsky (Agor).

Viajando pelos diversos continentes, o bandolim adoptou e foi adoptado pelo Blue Grass norte-americano e por formas musicais sul-americanas como os Choros, Valsas, Sambas e Frevos brasileiros, música negro-americana das Caraíbas, novas correntes urbanas do Zaire, Cabo Verde e África do Sul.

Na Europa, o movimento revivalista dos anos 60 reintegrou o bandolim na música irlandesa, bretã e italiana.

Portugal

Sendo um dos instrumentos de câmara preferidos pela burguesia portuguesa de Novecentos, o bandolim alcançou uma popularidade crescente que o transformou num instrumento característico de outras festividades e agremiações. Encontrando-se actualmente liberto das rígidas convenções técnicas de interpretação do passado, ele é hoje principalmente tocado por estudantes em tunas universitárias de cariz urbano ou integrado em ‘rusgas’ populares, participando nas ‘chulatas’ ou outras formações instrumentais mistas características das mais diversas celebrações profanas.

No séc. XIX construiram-se inúmeros bandolins de luxo, essencialmente tocados por senhoras. Ainda no princípio do século XX, as senhoras professoras primárias tinham na formação, aprendizagem de bandolim.

No início do séc. XX a cidade do Porto era o principal polo de onstrucção de instrumentos de corda do país, do Porto partiam guitarras (especialmente de Coimbra), bandolins, cavaquinhos e outros cordofones para todo país. Daí que surjam, no início deste século vários modelos dos diversos instrumentos com características próprias incutidas na Invicta ou no Douro Litoral. Com a I Grande Guerra, instala-se uma crise no país que atinge com particular força os violeiros (visto serem bens de entretenimento). Assim, a grande maioria destes vê-se obrigada a partir da Cidade do Porto para o Miho e/ou para a província tendo como mercado alvo as Romarias e os Ranchos, muito frequentes nesta região do nosso país.